quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Meu mundo da lua


Noites quentes enluaradas me remetem ao final dos anos sessenta. Meu tio Alvício, sentado no pátio de nossa casinha num vilarejo de São Leopoldo, costumava olhar para  o céu e descrever as constelações, dizia ele que haviam seres vivendo em outros planetas e que um dia esses  extraterrestres nos visitariam. Nos meus cinco ou seis anos de idade isso parecia algo verdadeiro e passei a esperar pelos extra terrestres,  deitava na grama olhando e procurando qualquer indício, foram muitas as vezes que vi um risco cortando o céu, meu tio dizia: isso é um "meteorito", deve cair no mar... e tu sabe por que no mar? Por que nosso planeta tem mais água do que terra, logo  a possibilidade de cair na água é maior... eu não entendia quase nada, mas gostava do Tio Alvício e suas histórias! Ele bebia, e eu era a única criatura que escutava e gostava do Tio Alvício bêbado! As vezes passava dos ETs para a Enedina, sua eterna musa, ele se apaixonou por essa mulher e levou um fora, então contava sua história triste de uma paixão não correspondida, fã do Vicente Celestino, toda vez que falava sobre a Enedina  cantarolava uma música chamada "O Ébrio".

Continuo tentando contato com os ETs, mas por enquanto não encontrei nenhum, ou encontrei alguns? Eis a questão! 

A idade avança e passamos a viver recordações, que venham as boas e que as más caiam no esquecimento!






quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Teia


A aranha tece sua teia com o objetivo de caçar suas presas,  assim vivem algumas pessoas, tentando enredar outras em suas teias. A grande diferença é que o inseto precisa disso para sobreviver, as pessoas não, o fazem por maldade, ganância, para ter a sensação de posse ou outro sentimento ruim qualquer.

Venho observando alguns artifícios usados no cotidiano destes seres desprovidos de escrúpulos, tais como:
Elogiam sempre, tudo é lindo e maravilhoso, no entanto quando bêbados e junto aos bem próximos, despejam seus reais sentimentos e gostos por coisas torpes, beijam faces e abraçam pessoas para mais adiante tirarem proveito dos sentimentos alheios em prol de algum lucro financeiro. Nas redes sociais, especialmente no Facebook, nota-se posts defensores da flora e fauna vindos de pessoas  que jamais sonham em exercer o que compartilham. Defensores da natureza digitais que sequer separam seu lixo doméstico. Outros criticam políticos e reclamam dos impostos, mas na hora do voto preferem o amigão que lhes facilita a vida ou promete algum "emprego" .  Conheci nessa última eleição candidato com um único objetivo: salário! Não ganhou a eleição mas ganhou um cargo. Pior que isso, pessoas próximas vêem tal coisa como fato normal, algo aceitável.

Em passado recente eu costumava abraçar causas, defender idéias, argumentar.... Hoje em dia sinto-me como neste trecho da  poesia de Mário Quintana:
"Da vez primeira que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha,
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha."

Assassinados a conta-gotas, essa é a realidade de quem convive e conhece pessoas perversas. Hoje já não tenho mais ânimo de lutar por causa alguma, graças ao profundo conhecimento da alma de algumas pessoas. Triste, mas real! Cuido de fazer o que minha consciência manda, somente isso!